domingo, 28 de fevereiro de 2010

O PAÍS DO TIO HO

Nossa viagem da Tailândia até o Vietnã foi tranquila. Saímos cedo de Phuket, paramos em Kuala Lumpur e pegamos outro vôo pra Ho Chi Min City (HCMC). Confesso que nossa viagem ao Vietnã foi 60% vontade da Cora e 40% minha. Apesar de 30 anos depois da guerra do Vietnã ter terminado, eu ainda tinha receios que resquícios de extremismo comunista estivessem em vigor. O visto de turismo pro Vietnã ainda exige um pouco mais de trabalho do que pra outros países da Ásia. Você precisa pedir com antecedência uma autorização de entrada (U$18). Depois que seu nome constar na lista deles, você dá entrada no seu visto de turista no aeroporto (Visa On Arrival – mais U$25). Com tanto controle, achei que as ruas estariam cheias de oficiais controlando cada passo seu. Porém isso se discipou no momento em que saí do aeroporto.

Seguindo o conselho da Francine (canadense que conhecemos na Tailândia), fomos procurar o ponto de ônibus que nos levaria até o centro da cidade. Andamos para lá e para cá, perguntando as pessoas onde poderíamos pegar o ônibus. Cada um indicava um lugar (onde não havia nada). No aeroporto conhecemos o Pierre e a Gaelle, casal de franceses que estava no Vietnã há 5 dias, e que também estavam procurando o tal ponto de ônibus. Esperamos por uns 15 minutos e decidimos negociar com os taxistas o preço da corrida. Enquanto negociávamos, o casal francês propôs de dividir o táxi. Tentamos localizar carros que tivessem taxímetros, o que foi um pouco difícil, porém o Pierre achou um.

O trânsito no Vietnã é um caso a parte. Centenas de motos dominam as ruas onde parece que não há qualquer legislação de trânsito. Apesar da zona, eles se entendem, até porque você não consegue acelerar muito. No carro, o casal francês nos explica que o trânsito até está tranquilo por causa do feriado (hahahahaha). Chegamos na véspera do Ano Novo Chinês, a maior celebração o Vietnã e em muitos países da Ásia.

O hotel em que ficamos é de longe o melhor na nossa viagem. Tínhamos tv a cabo, um sofá, serviço de quarto e até banheira e internet wireless no quarto. O melhor de tudo é que recebemos um upgrade de graça, porque não havia nenhum quarto do modelo que reservamos disponível.

Marcamos de encontrar nossos amigos franceses a noite para jantarmos juntos e caminharmos pelo centro até o momento da virada de ano. O centro da cidade estava lindamente decorado com flores e arranjos de todas as cores e tamanhos e muitos tigres. O ano que está vindo é o ano do tigre, o que significa muita riqueza e saúde para aqueles que nasceram nos anos do tigre. Esse ano também é excelente para os negócios.

Junto com o Pierre e a Gaulle estava a Nina, uma francesa que mora há 8 meses no Vietnã e que faz trabalho social ensinando como melhorar o relacionamento das enfermeiras locais com os pacientes. Ela tentou nos levar em alguns lugares para podermos jantar e conversar, porém alguns estavam fechados, enquanto outros eram muito caros pro nosso orçamento. Jantamos num buteco de rua mesmo, contariando todos os nossos índices do IFA (Índice de Frescura Aguda). Normalmente tomamos cuidado com o que e onde comemos, pois isso pode estragar completamente nossa viagem. Bom, nós jantamos sopa de miojo com frango (completamente sem têmpero) e sobrevivemos.

Passamos o resto da noite caminhando e conversando, dividindo histórias e experiências. Perto da meia-noite tentamos entrar num hotel que tinha um terraço na direção de onde ocorreriam a queima-de-fogos. A Nina e a Gaelle conseguiram entrar, porém o Pierra, a Cora e eu fomos bloqueados no elevador. Precisávamos pagar U$20 pelo ingresso. Sem chance! Saímos e aguardamos as duas descerem. Faltava pouco pra meia-noite. Fomos pro meio da rua que estava completamente tomada por gente, moto e ônibus. Finalmente chegou meia-noite e por vinte minutos todos nós vibramos pela linda queima de fogos e pela festa nas ruas.

Feliz Ano Novo!

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